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sábado, 25 de abril de 2015

O futuro de Vanderlei Luxemburgo, o "ex-trategista"



Dezembro de 2015 Após uma campanha muito ruim no Campeonato Brasileiro e contratações desastradas (os atacantes Jean, Gilmar Pica-Tonta e Kléber Pereira, além dos meias André Beleza, Magnum e Léo Lima), Luxemburgo é demitido do Joinville, deixando o clube catarinense na 11ª colocação. Indignado com a demissão, Luxemburgo esbraveja: “Extávamos no meio de um proxexo, levei o time à Sul-Americana e exixo rexpeito. Nunca mais trabalho aqui!”

Janeiro de 2016 É contratado pelo Santa Cruz e recebido com festa no estádio do Arruda. Os torcedores do Santa esperam que Luxemburgo consiga tirar o tradicional clube pernambucano da 3ª divisão nacional.

Abril de 2016 O Santa Cruz faz uma excelente campanha no campeonato pernambucano e chega à final, mas perde o título para o Sport na Ilha do Retiro. O presidente do Sport ironiza Luxemburgo, dizendo que o treinador é “velho freguês” do leão da ilha. Luxemburgo pede respeito e afirma que nunca trabalhará no Sport.

Dezembro de 2016 Decepção total no Santa Cruz: o time não consegue passar pelo octogonal que classificaria 4 times para a 2ª divisão. Luxemburgo é vaiado pela torcida do Santa, que o acusa de decadente. Irritado com as críticas, Luxemburgo pede que tenham respeito com o seu nome e afirma: “O meu ciclo no Santa terminou hoje. Nunca mais trabalho aqui!”

Janeiro de 2017 Vanderlei Luxemburgo acerta contrato para treinar o Gurupi, de Tocantins. De quebra, filia-se ao PT e anuncia sua pré-candidatura ao senado pelo estado nas eleições do ano seguinte.

Maio de 2017 Com reforços consagrados como os atacantes Gil e Viola e do zagueiro Odvan, além do lateral esquerdo Kléber Chicletinho, o Gurupi quebra um jejum de 4 anos sem títulos e vence o campeonato tocantinense de futebol. Luxemburgo avisa que é só o começo do “proxexo”. Continua trabalhando com o Gurupi e dedicando-se à sua candidatura. 

Outubro de 2018 Luxemburgo não consegue se eleger senador por Tocantins, mas ficou com a 15ª suplência de seu partido e na 52ª suplência da coligação. Enquanto isso, o Gurupi é ameaçado de rebaixamento na 4ª divisão do Brasileiro.

Dezembro de 2018 O Gurupi naufraga e sequer consegue vaga para o octogonal da 4ª divisão. Na última rodada, após perder em casa para o Trem Desportivo Clube, do Amapá, a torcida do Gurupi hostiliza Luxemburgo, que desabafa na imprensa local: “Ixo é molecagem, nunca mais trabalho aqui!”

Janeiro de 2019 - Às voltas com o seu reativado Instituto Vanderlei Luxemburgo de Futebol, o treinador tem convite do Atlético Ibirama, de Santa Catarina, mas resolve aceitar o desafio de ser manager do Íbis-PE. Seu auxiliar técnico, o ex-jogador Ricardinho, é o novo técnico do Íbis, que graças a Luxemburgo fecha parceria com o Iraty-PR para obter alguns atletas. Chegam ao clube pernambucano o meia Jorinélson (sobrinho de Arinélson) e os experientes Cléber Santana e Maldonado. 

Junho de 2019 Com Ricardinho no comando técnico e Luxemburgo no departamento de futebol, o Íbis disputa 32 partidas entre campeonato pernambucano e Taça Estado de Pernambuco, que classifica 4 times para disputarem a 4ª divisão do Campeonato Brasileiro. Em 32 jogos, o Íbis perde 30, empata 1 e vence 1 partida polêmica contra o Serrano, em Serra Talhada, com arbitragem duvidosa do árbitro Márcio Rezende de Freitas Filho. Torcedores do Íbis, inconformados com a vitória do time, que perdeu o posto de “pior time do mundo” para o Dostolstói FC Vladivostok, da Rússia, hostilizam o dirigente Luxemburgo, que afirma: “Nunca mais vou trabalhar no Íbis.”

Janeiro de 2020 Após 6 meses dedicando-se integralmente ao Instituto Luxemburgo de Futebol, onde lança como treinadores Marcelinho Carioca (ex-meia), Carlinhos Bala (ex-atacante), Fabiano Genro (ex-volante), Astorga (ex-zagueiro) e Denílson (ex-atacante), Vanderlei volta a Santos, desta vez para treinar a Portuguesa Santista, que está de volta à 1ª divisão do Campeonato Paulista. 

Abril de 2020 A Portuguesa Santista é novamente rebaixada para a 2ª divisão do Campeonato Paulista após perder para o Santos por 5 x 0 na Vila Belmiro. Na véspera do jogo, o experiente atacante Robinho, de volta ao Santos e que conquistaria o título daquele ano, puxa o coro “Ô Vanderlei/ Pode esperar/ a sua hora vai chegar”, para extasiada irritação de Luxemburgo. Sob a alegação de ser um treinador muito caro, a diretoria da Briosa demite Luxemburgo, que esbraveja: “Xou um profixional. Não axeito como fui tratado! Nunca mais trabalho aqui!”

Dezembro de 2020 Desempregado e tentando a carreira de empresário de jogadores, é convidado para dirigir o time dos “Amigos de Ronaldinho Gaúcho” na despedida do craque. Jogando contra o time dos “Amigos de Adriano”, perde o jogo e é xingado no Maracanã pelos torcedores, sobretudo do Flamengo. Inconsolável, afirma: “Nunca mais trabalho aqui!”

Fevereiro de 2021 A convite do amigo Marcelo Teixeira, ex-presidente do Santos, vai lecionar no curso de Administração Esportiva da UniMT. Luxemburgo está satisfeito com a nova função, mas admite que tem convite para treinar a seleção da Guiana. Para isso já se matriculou no curso de idiomas Santana’s Language, de propriedade do ex-técnico Joel Santana, que abandonou a carreira de treinador e virou professor de inglês para jogadores e técnicos de futebol.

Abril de 2021 - Luxemburgo é condenado a 22 anos e 5 meses de prisão por falsidade ideológica, sonegação fiscal, assédio sexual à sua manicure Cláudia e danos morais contra sua ex-amante, Renata Carla, em imbróglios ocorridos no fim dos anos 90. Contrata os melhores advogados trabalhistas do país e recorre da sentença. Gasta toda sua fortuna nos processos, mas consegue ser inocentado após subornar 2 desembargadores e 5 testemunhas. Desempregado e falido, abre uma barraca de pastel e garapa no Acari, subúrbio carioca.

terça-feira, 8 de julho de 2014

1950 x 2014, um choque de realidades



Logo depois daquela bola de Ghigghia ter passado entre os braços de Barbosa e a quadrada trave esquerda do Maracanã, o arqueiro brasileiro olhou para cima suspirando fundo. Talvez sabendo que aquele instante se perpetuaria na história do futebol brasileiro. Aquela chaga seria eterna em sua vida e em sua carreira.

Hoje, no céu, os companheiros do goleiro de 1950 estão vendo o jogo Brasil x Alemanha pela Sky, provavelmente.

Eles viram Müller fazer 1 a 0 no Mineirão. E não viram nenhum zagueiro brasileiro por perto, nem o excelente David Luiz, que foi desatento como não costuma ser.

Os zagueiros Augusto e Juvenal comentaram entre si que aquele erro do primeiro dos sete gols (e sete erros!) eles não cometeriam depois do escanteio. Até porque, em 1950, a bola saía pela linha de fundo e já jogavam na área. Não tinha lance ensaiado. Nem a chegada dos zagueiros. Muito menos alguém tão livre como ficou Müller em uma semifinal de copa do mundo.

No segundo gol, Bauer e Danilo Alvim lamentaram a desatenção na entrada da área. Alguém brincou com Bigode que se ele havia sido muito cobrado pelos dois gols que saíram pelo lado esquerdo da defesa em 16 de julho de 1950. Imagina agora o que não detonariam Marcelo…

O terceiro gol alemão parecia ter sido feito contra os 200 mil torcedores anestesiados depois do apito final no Maracanazo. Todos olhando a Alemanha tratar a bola como se fosse o Brasil sonhado, no Mineirão.

O quarto gol foi uma infelicidade de Fernandinho. Daquelas que ninguém cometeu na final de 1950.

O quinto gol estava impedido. Quem se importa?

O sexto foi outra linha de passe. Ou seria o sétimo?

Perdemos as contas.

Jair Rosa Pinto e Zizinho lamentaram a falta de armação no jogo e em quase toda Copa. 

Reclamaram a ausência de craques como eles. Dois monstros que não ganharam o mundo. Mas conquistaram o planeta bola.

Ademir de Menezes, goleador de 1950, lamentou a péssima forma do artilheiro Fred.

Não poucos lamentaram a ausência do lesionado Tesourinha no time de 1950.

Mas Friaça falou e calou todos:

- Mas quem fez o gol da última partida fui eu, lá da ponta direita, onde jogava o Tesourinha…

Verdade. Ninguém chorou pela ausência de um dos tantos craques de 1950 como tanto se lamentou a perda de Neymar.

Chico lamentou que Hulk não conseguiu ser o jogador da copa das confederações. Não apenas ele. Todos jogaram muito mais em 2013, quando não havia Alemanha. Nem Argentina. Nem Holanda.

Flávio Costa lamentou que tenha sido tão criticado pela perda do título de 1950. Mas entende que Felipão não pode ser tão crucificado como já está sendo.

- Pode sim! Montou o time errado! Mexeu errado! O Parreira também não tinha que falar que éramos favoritos antes de começar a Copa. Onde já se viu?

Quase todos lembraram que o oba-oba em 1950 foi 2014 vezes pior que este ano.

Fato.

Houve um silêncio.

Não tanto um silêncio ensurdecedor como no final daquela tarde de 16 de julho de 1950.

Mas houve um silêncio entre todos eles.

Respeitoso silêncio.

Barbosa apareceu na sala de TV da classe de 1950 lá no céu.

Ele pegou o controle remoto e começou a zapear.

Todo o time de 1950 olhando para ele. Esperando algum comentário. Alguma lástima. Alguma cornetada. Algum suspiro olhando para o céu como aquele de 16 de julho. Ainda que, hoje, o suspiro seria olhar para os lados. Para os velhos companheiros de dor. De derrota. De vice-campeonato mundial.

Barbosa continuou sua zapeada na TV. Vendo os comentaristas de sempre, cornetaristas de plantão, ex-atletas, ex-jornalistas, ex-treinadores, ex-árbitros, ex-colados, ex-craques, ex-colunistas, calunistas, todos detonando tudo. A torcida, a Fifa, a Dilma, o Lula, a grama, o excesso de grana, a falta de gana, os cambistas, as cambalhotas, o reich, o führer, a Alemanha, os godos, ostrogodos, visigodos, gordos e magros.

Barbosa ouviu muito, concordou pouco.

Alguns companheiros foram jogar cacheta. Alguns foram bater as asas de anjo em outros cantos.

Ele acabou sozinho.

Mais uma vez.

Suspirou fundo. Olhos para todos os lados.

Saiu da sala e foi até o gramado ao lado.

Viu a trave do campinho onde ainda hoje eles batem uma bolinha celestial lá no campo dos sonhos.

Foi até lá.

Quando encontrou os dez uruguaios de 1950 que já estão no céu. (Ghigghia, justo o Ghiggia do segundo gol, ainda está vivo. Muito vivo. Só ele ainda está entre nós – não entre eles no campinho dos céus). Todos batendo sua bolinha, em ainda mais respeitoso silêncio que o do Maracanazo.

Os celestes nada falaram quando viram Barbosa de novo debaixo das traves.

Ele abriu os braços como se fosse fazer a defesa que todas as noites ele tenta fazer desde 16 de julho de 1950. Em vez de agarrar a bola que então e para sempre escapa, ele recebeu dez abraços respeitosos dos adversários. E, logo depois, mais dez abraços dos companheiros de vice-campeonato em 1950.

Ninguém falou nada. Apenas abraçaram o goleiro que o Brasil culpou.

Acabada a sessão de abraços, Barbosa deixou a trave do campinho e voltou ao seu quarto para fazer a oração de todos os dias desde 16 de julho de 1950.

Quando pediu a Deus mais uma vez para que nenhum goleiro sofra o que ele passou.

Para que Júlio César e nenhum outro dos amarelos de 8 de julho de 2014 sofram o que a classe de 1950 sofreu eternamente.

Barbosa orou bastante.

Talvez, agora, seja escutado.

Mas, se não for, mais uma vez ele fez a sua parte.

Vergonha não é perder.

Vergonhoso é não saber perder.

Ainda mais quando não se está em campo e em jogo para ser derrotado.

domingo, 8 de junho de 2014

domingo, 1 de junho de 2014

Era uma vez um país, uma Copa do Mundo, duas figuras repugnantes e... CAXIROLAS!



Triste é o país-sede cuja única obra pronta e aposentada (louvado seja!) antes do tempo para a Copa do Mundo é a tal da caxirola…

Mas imaginemos o que seria o mundial no Brasil com essa peculiaridade. Bósnia & Herzegovina x Irã jogam pela terceira rodada em uma arena superfaturada para o mundial – e subutilizada a partir de então. Pai e filho ganham ingressos numa promoção da esquadria de alumínio oficial da copa.

- Paiê, a moça da recepção pediu para chacoalhar isso aqui. Como faz? É para cima e para baixo ou para os lados?

- Putz, filho, perdi o manual de instrução…

- Mas você nunca lê, pai… Deixa eu ver… A moça aqui do lado está balançando de qualquer jeito. Ah, não! Aquilo ali é o saco de pipoca oficial da copa. Acho que é para misturar o sal.

- Não, filho. Aquilo ali é a Pamundial, a pamonha oficial da copa.

- Não, pai. Agora eu vi. É o KebaBrasil, o churrasquinho greco-brasileiro oficial da copa.

- Sei. Então, o pessoal da promoção pediu pra gente fazer bastante barulho com a caxirinha.

- Caxirola.

- Isso. Só não sei se tem de cruzar os braços como faz o Charlie Brown Jr. com a cangibrina…

- Caxirola. Carlinhos Brown…

- Cacilda!

- Caxirola, pai.

- Não, cacilda, é que não consigo nem tocar e nem acertar o nome desse fuleco, desse coiso de coisar do Carlinhos Bronson.

- Pai, não fala assim. Eu vi a presidente falando que é muito legal a caxirola. Ela é uma coisa que tem, como é mesmo…. Ah, está aqui no papel, achei bem bacana: “um sentido transcendental de cura”. Achei bonito. O que é isso?

- A cachola?

- Não. O que a presidente quis dizer?

- Filhão, eu não sei. Mas a moça da firma que nos trouxe ao estádio pediu para que, em vez de gritar “gol” temos de tocar a canajuba e berrar “Uma janela para o mundo. Viva a esquadria Cashiwindow!” E, depois, cantar “Sou brasileiro, com muito orgulho e muita esquadria Cashiwindow.”

- E se a gente esquecer, pai?

- Não vamos pegar a van de volta. Melhor decorar.

- Tudo bem. Mas pode xingar o juíz?

- Pode. Mas daí não pode ao mesmo tempo tocar a carnaúba.

- Caxirola, pai!

- É, a camaçari. Então, não pode associar uma reclamação com a “alegria, a ginga e a malemolência incentivada pelo governo dessa nova tradição inaugurada em Brasília que caiu na boca do povo”, meu filho. Está no guia, página 77.

- Pai, por que na entrada não deixaram o cara da frente entrar com um radinho de pilha e um guarda-chuva, mas nem checaram a caxirola?

- Filho, fala baixo. Eles me passaram um SMS da lista de produtos e de assuntos oficiais que podem ser falados nas arenas. Normas de segurança interna são assuntos da Fifa. O Brasil corre o risco de ser desfiliado da entidade se o torcedor não seguir o caderno de encargos da copa.

- Então é bom aprender a tocar a caxirola, pai. Pensando bem, usando fone de ouvido, protetor auricular e um gorro, até que ela é legal!

- Eu acho. Valeu pagar 100 reais por algo tão útil como esse chocalho, o bonequinho do Fuleco e pelo suporte para cinto da cajuína.

- Caxirola, pai.

- Isso. Vamo que vamo, Brasil!

- Pai, é “Vamos que vamos”. Pediram pra gente usar o plural corretamente nos jogos.

- É verdade filho. Maldita hipocrisia! É bem a cara desse país mesmo...

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O sonho que eu não sonhei



Não o vi jogar. Só ouvi falar e através de documentos históricos pude acompanhar um pouco do maior momento da história do futebol.

Tenho dificuldade em falar sobre o que não vivi. Mas eu pergunto hoje, quando Pelé completa 73 anos: quem não viveu Pelé?

Qual o ser humano capaz de não ter visto, lido ou discutido uma vez sobre Pelé? Quem nunca o colocou no patamar de “adjetivo máximo”, como o “Pelé das pistas”, o “Pelé da cozinha” ou o “Pelé da arquitetura”?

Pelé não foi o “Pelé” de ninguém.

Foi o mais competente ser humano já inventado. O profissional que mais perfeitamente soube usufruir do dom que Deus lhe confiou. E não, não me venham com cientistas, matemáticos ou seja lá o que for. Nada é mais importante que a bola. E ela nunca respeitou ninguém como respeitou Pelé.

Cientistas não param guerras. Matemáticos não fazem americanos e iranianos se cumprimentarem e trocarem flores. A bola faz.

A bola faz o que bem entender. E só responde a um superior: Pelé.

No Brasil, onde pouco se faz uso da memória, às vezes fazem piadas, tentam ironizar e até separar Édson de Pelé. Impossível. Se de vez em quando diz algo que não concordemos, pouco importa. Direito conquistado. Pelé pode tudo.

Se cruelmente o tempo desgasta os feitos de um grande homem, imagine o de nós, mortais. Quem somos para julgá-lo?

Era uma vez o futebol. E então, o Brasil apresentado ao mundo. Como novidade chegamos, como donos da bola nos estabelecemos. Devemos isso a Pelé.

Toda cidade deste país deveria ter a “Avenida Pelé”. E não uma viela qualquer. E sim a rua principal da cidade, aquela que leva a periferia à nobreza, que atravessa tudo, não termina nunca.

Eu não pude comemorar um gol de Pelé. Sei que hoje, ainda mais no mundo podre e nefasto da web, é mais fácil ousar diminuí-lo a exaltá-lo todos os dias. Nosso Rei só será o que merece quando morto. Aliás, como todos os brasileiros notáveis.

Respirar diminui a grandeza de qualquer brasileiro.

Viver a era Pelé é um sonho. Eu não sonhei este sonho e acordado me recordo de tudo que não vi. Como se fizesse alguma diferença ter ou não passado a semana esperando um dos jogos que ele resolveu sozinho.

Hoje o Rei faz 73 anos. Não é ídolo da minha geração, mas talvez tenha sido o único ser vivo que vi meu pai e meus avôs olharem de baixo pra cima. E ele nem é tão alto.

Pelé foi onde nunca mais alguém irá.

É brasileiro, como eu e você. Parte do nosso cartão postal e, acredite, parte da nossa história.

Viva longa ao Rei Pelé! O ídolo que lamento não ter sido meu contemporâneo.

domingo, 25 de agosto de 2013

Gylmar dos Santos Neves, ✻22/08/1930 ✝25/08/2013





Homenagem póstuma ao maior goleiro que o futebol já conheceu. Sem mais.

domingo, 23 de junho de 2013

A lição que a seleção do Taiti nos ensinou



Como é possível que um time de futebol seja derrotado, e, ainda assim, comemore?

Como é possível que um time de futebol não ganhe nada para jogar, e ainda assim, encontre alegria no que faz?

Ah, que lição nos ensinou a seleção do Taiti.

Enquanto a “poderosa” Nigéria ameaçava boicotar a Copa das Confederações por que havia rumores de que o valor pago aos atletas para disputar o torneio seria menor, encontramos hospedados ali mesmo em Belo Horizonte gente que joga pelo simples prazer de atuar, com o dinheiro em segundo plano.

Isso ainda existe em nossos dias.

Quanta diferença!

O Taiti não tem Balotelli, Iniesta, Forlán ou Neymar.

Mas tem o futebol em sua essência, em sua verdadeira origem e no seu real objetivo. Esporte feito para o bem comum, para contribuir no crescimento social do ser humano.

O Taiti jogou o futebol puro. E, perdeu, no placar. Apenas no placar.

Por que ganhou o respeito e a admiração de nós, amantes do verdadeiro futebol.

Ganhou o respeito dos torcedores de Belo Horizonte, do Rio de Janeiro, do Recife, de todo o Brasil.

O Taiti perdeu de 6x1 da Nigéria, de 10x0 da Espanha e de 8x0 do Uruguai e voltará para casa como a seleção de pior desempenho na história da Copa das Confederações.

Mas, espere um pouco!

Quem tem mais valor? Quem atua só pelo dinheiro ou quem tem alegria quando marca um gol como se estivesse ganhando um título?

Quem ganha mais com isso? O futebol dos mercenários ou o futebol alegria?

O Taiti é um vencedor. Um campeão contra tudo e contra todos.

Por estar na Copa é o melhor time da Oceania.

O que mais dá gosto ver são os olhos de satisfação dos jogadores que conquistaram o direito de participar do torneio fazendo com que pela primeira vez o eixo Austrália-Nova Zelândia não participasse da competição.

Jonathan Tehau foi o primeiro atleta do Taiti a marcar um gol fora do seu país em uma competição oficial. E isso é um privilégio que ele vai carregar para sempre.

O Taiti!

Exemplo supremo de que o dinheiro não é a razão maior para a felicidade. Felicidade mesmo é fazer o que se gosta!

Obrigado Taiti, por nos fazer ter a certeza de que precisamos de muito pouco para sermos felizes!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

De volta ao planejamento...



Sim, porque aberrações da natureza, como as vistas em 2012, são raríssimas.

sábado, 4 de maio de 2013

2014, o ano em que o Brasil será derrotado



O Brasil será o grande derrotado na Copa do Mundo de 2014. Esqueçam esquemas táticos, análises técnicas, convocações, gols ou arbitragens. A derrota não virá numa zebra nas oitavas contra a Bélgica, num duelo épico de quartas contra a Itália, numa semi angustiante contra a Espanha ou num 'Maracanazzo reloaded' contra a Argentina.

A derrota já veio. O Brasil perdeu a Copa de 2014.

O Brasil perdeu, leiam bem. O que vai acontecer com a seleção brasileira é outra história. Uma história que muda pouco o que realmente importa. O Brasil perdeu a Copa de 2014. 

Um evento como a Copa é a chance de um país mudar, se redescobrir, sanar problemas e construir soluções, mesmo que seja sob a fajutíssima desculpa de "o que o mundo vai pensar da gente se não estiver tudo dando certo?". Que seja, dane-se a pequenez da desculpa, desde que sejam construídas estradas, linhas de metrô, corredores de ônibus, elevadores, hotéis, e, vá lá, até um ou outro estádio.

A Copa do Mundo é, para os tempos de hoje, o que foram as tais "Exposições Mundiais" no século 19. Era preciso se arrumar para receber visitas em casa. 

Mas o Brasil hoje corre para retocar a maquiagem, empurra a vassouradas a sujeira para debaixo do tapete, tranca os cachorros pulguentos na despensa e manda a criançada dormir mais cedo, porque sabe como é criança quando chega visita, desanda a falar cada coisa...

Faltam pouco menos de dois meses para a Copa das Confederações, e o estádio da final não está pronto. Aquele estádio na Zona Norte do Rio, que foi erguido no lugar do Maracanã ao preço mirabolante de R$ 1 bilhão e que terá de ser reformado para a Olimpíada. Nenhum aeroporto teve reformas significativas concluídas.

Pouco mais de um ano para a Copa do Mundo e os taxistas que falam inglês continuam a ser uma raridade, as placas de trânsito seguem indecifráveis para estrangeiros, os hotéis e vias públicas não vão dar conta do recado, obras de mobilidade urbana de Manaus, Brasília e São Paulo não ficarão prontas - umas foram canceladas, outras postergadas, todas custaram irreversíveis milhões e não é difícil adivinhar quem pagou a conta.

O presidente do Comitê Organizador Local está cercado por denúncias, e não é para menos. José Maria Marín, o homem que gere a operação Copa do Mundo no Brasil, passou seus mandatos de deputado bajulando delegados ligados às torturas da ditadura, superfaturou a sede da CBF, negociou apoio na aprovação de contas da confederação dando cheques a seus eleitores. 

Enquanto isso, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, diz que a organização da Copa do Mundo no Brasil seria mais fácil se o país fosse menos democrático e tivesse menos esferas de governo. Legal é a Rússia, que tem um poder centralizado e menos palpiteiros. A organização da Copa do Mundo seria mais fácil, monsieur Valcke, se ela estivesse nas mãos de gente diferente. De gente que não estivesse interessada apenas em sugar dinheiro do país com o benefício de isenção de impostos. A organização da Copa do Mundo seria mais fácil se ela fosse feita para, de fato, deixar o país com algumas pequenas vitórias em áreas que vão muito além do campo de jogo. 

O Brasil de Felipão, de Neymar, de Ronaldinho ou Kaká, o Brasil pentacampeão, seja com volantes classudos ou brucutus, pode ganhar ou perder a Copa de 2014. 

O Brasil de 200 milhões de pessoas, aquele que acordará no dia 14 de julho de 2014 para trabalhar, este sairá da Copa derrotado. Qualquer que seja o resultado da final.